O gato é carnívoro estrito
Diferente do cão, que é onívoro, o gato é um carnívoro estrito (obrigatório): ele depende de nutrientes que só existem em fontes de origem animal. Na natureza, sua dieta é rica em proteína, moderada em gordura e com pouquíssimo carboidrato, e seu metabolismo continua adaptado a isso. Por isso a proteína animal de qualidade deve ser a base da alimentação felina, e não um mero complemento.
Taurina: o aminoácido que não pode faltar
A taurina é um aminoácido essencial que o gato não consegue produzir em quantidade suficiente, precisando obtê-la pronta na dieta — a partir de carnes, aves, peixes e ovos. A deficiência de taurina causa problemas graves, como degeneração da retina e cegueira, além de cardiomiopatia dilatada (fraqueza do coração). É justamente por isso que rações formuladas para gatos têm taurina adicionada, enquanto rações de cão praticamente não a contêm.
Água e alimentação úmida: aliadas dos rins e da bexiga
Descendente de felinos do deserto, o gato tem sede naturalmente baixa e tende a beber pouca água, o que favorece urina concentrada. Urina muito concentrada está entre as principais causas de problemas urinários, como cistite idiopática e formação de cristais e cálculos. Oferecer alimentação úmida (sachês e patês, com cerca de 70 a 80% de umidade), água fresca em vários pontos da casa e fontes de água ajuda a aumentar a hidratação e a proteger os rins e as vias urinárias.
Ração por fase da vida
As necessidades nutricionais mudam ao longo da vida. Filhotes estão em fase de construção e precisam de mais proteína e calorias, além de comerem várias vezes ao dia; a transição para ração adulta ocorre por volta dos 12 meses. Gatos adultos costumam ser bem atendidos com uma ou duas refeições diárias em porções controladas, e gatos sênior podem precisar de ajustes indicados pelo veterinário. Escolher a fórmula adequada à fase evita tanto carências quanto excessos.
Obesidade: cuidado com a comida à vontade
A obesidade é o problema nutricional mais comum em gatos e abre portas para artrite, diabetes e outras doenças. Deixar o pote sempre cheio (“à vontade”) aumenta o risco de sobrepeso, especialmente em gatos castrados, adultos e de vida mais sedentária. O ideal é oferecer a quantidade diária adequada em porções medidas e acompanhar o peso corporal com orientação veterinária.
Por que não dar ração de cão nem comida caseira sem orientação
Ração de cão é formulada para um onívoro: costuma ter menos proteína e gordura do que o gato precisa e não fornece taurina em nível adequado. Consumir isso ocasionalmente não faz mal, mas como dieta habitual leva a deficiências sérias. Da mesma forma, comida caseira sem acompanhamento profissional dificilmente equilibra todos os nutrientes que o felino exige — o ideal é usar alimentos completos e balanceados ou receitas formuladas por um médico-veterinário.
Conteúdo informativo, não substitui a orientação de um médico-veterinário. Em caso de dúvida sobre a saúde do seu animal, procure um profissional.
Referências
- Royal Canin BrasilPor que a taurina é tão importante para gatos e cãeswww.royalcanin.com ↗
- Cornell Feline Health CenterFeeding Your Catwww.vet.cornell.edu ↗
- NutritecNutrição que hidrata: saúde urinária dos gatosnutritec.ind.br ↗
- Purina BrasilGato filhote pode comer ração de adulto?purina.com.br ↗
- MetrópolesTrês motivos para não alimentar gatos com ração de cachorrowww.metropoles.com ↗
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